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Algodão mais caro?
 
18/06/2010
 

O Governo indiano quer proteger os seus produtores de vestuário através de restrições à exportação de algodão, promovendo a produção nacional de fio. Mas não está claro o tempo em que a medida vai vigorar, nem o efeito que poderá ter nos preços da matéria-prima no mercado internacional.

Será que a recente decisão do governo indiano para suspender as exportações de algodão, terá graves repercussões para os fabricantes de vestuário em todo o mundo? A resposta, ao que parece, é: sim e não.
Sim, no sentido em que a medida – tomada numa tentativa de conter o aumento dos custos e inverter a escassez de fios de algodão para as empresas indianas – pode afetar o segundo maior produtor do mercado internacional, se a proibição se arrastar para a próxima colheita.
Não, na medida em que o algodão representa uma parte relativamente pequena do custo total de uma peça de vestuário e é apenas uma entre as várias matérias-primas sujeitas a flutuações, que a indústria está neste momento a acompanhar com atenção.

No final de Abril, o presidente executivo da Timberland, Jeffrey Swartz, referiu a analistas que a pressão «sobre os custos de entrada, como couro e transporte, bem como os custos do trabalho na China» vão provavelmente ter um impacto na empresa na segunda metade de 2010. E um porta-voz da Marks & Spencer revelou que, apesar de não ter planos para alterar os seus preços de vestuário em resposta à proibição do algodão da Índia, «é claro que nenhum retalhista sabe o que o futuro reserva para os preços das matérias-primas».
Efetivamente, durante os últimos dois anos, as empresas têxteis e de vestuário tiveram que enfrentar problemas que vão desde a inflação e recessão internacional, até à escassez de trabalhadores chineses, subida nos preços do petróleo e o caos nos mercados cambiais. E é muito provável que um conjunto similar de desafios no aprovisionamento também esteja presente durante o próximo ano ou seguintes. Mas, em comum com todos estes parâmetros em mudança, a maior preocupação para a indústria têxtil e de vestuário é a incerteza que trazem, sobretudo quando as encomendas e os contratos são negociados com meses de antecedência.

A subida dos preços mundiais do algodão e uma corrida para encontrar novas fontes de fibras são dois cenários possíveis que estão a ser ignorados. Mas, de acordo com Mike Flanagan, presidente executivo da Clothesource, nenhum ocorreu ainda, como resultado direto da proibição de algodão da Índia que, segundo este responsável, a maioria da atual colheita de algodão indiano já foi exportada ou vendida para fiações do país. Flanagan também aponta que os preços mundiais do algodão estão atualmente cerca de 80% mais altos do que em Março de 2009, altura em que se situavam perto do nível mais baixo dos últimos 40 anos.

Em vez disso, o aspecto mais preocupante da suspensão das exportações de algodão indiano é o seu calendário e a preocupação por ninguém saber ainda quanto tempo pode durar. Mesmo antes do Governo indiano tomar a sua decisão, o Departamento de Agricultura dos EUA previa que a produção mundial no ano que termina em Julho seja 5% inferior em relação ao ano anterior, com 101,7 milhões de fardos.
A maior parte do declínio da produção mundial de 2009/10 resultará da queda da produção nos principais países produtores de algodão, como a China, EUA, Uzbequistão e Zona Franca Africana – o que significa que será difícil compensar o déficit da Índia.
A agência também espera que o consumo mundial de algodão seja quase 6% maior que em 2008/09, quando a desaceleração econômica levou a uma queda de 10% na utilização da fibra pela indústria mundial, com a China a ocupar mais da metade dos 6,3 milhões de fardos extra de algodão consumidos em 2009/10.
Também é justo supor que estes estoques mais baixos tendem a ser acompanhados pela crescente procura – e preços – à medida que a aceleração da recuperação da economia mundial impulsiona a procura por têxteis. O preço da recuperação econômica é o crescimento da procura de algodão que, ao que parece, promove o aumento nos preços desta matéria-prima.

Fonte: ABIT Online Exclusivo - Portugal têxtil

 
 

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